Pensei em lançar pra vocês minhas impressões sobre alguns produtos da Lush, mas tem outro tema que me deixou com mais vontade de escrever hoje.
Não tem como falar em sustentabilidade (ou da falta dela) sem pensar nas questões que vão além do meio ambiente: condições de trabalho e escravidão sempre me vêm à mente também. Há mais ou menos dois anos ouvi falar (ou melhor: li, hehe) pela primeira vez do Fashion Revolution. Passei a seguir o feed e ler sobre o projeto, e com isso fiquei encantada com a missão deles.
Uma descrição do próprio FR diz:
O Fashion Revolution é um movimento internacional criado com o objetivo de aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto (...) A moda é uma força a ser considerada. Ela inspira, provoca, conduz e cativa. E, desde 24 de abril de 2014, ela faz ainda mais. Porque o Fashion Revolution Day (Dia da Revolução da Moda) quer ajudar a tornar a moda uma força para o bem.
Infelizmente, o FR nasceu de uma tragédia: no dia 24 de abril de 2013, mais de 1100 pessoas morreram depois do desabamento de um complexo de fábricas e lojas de moda em Daca, capital do Bangladesh. Algumas advertências sobre o estado físico das instalações já tinham sido feitas, mas foram ignoradas por que administrava/mandava no local.O episódio serviu como um alerta para as condições de trabalho da indústria de moda e têxtil, já conhecidas por casos de trabalho escravo ou em condições insalubres.
Desabamento do complexo em Daca, Bangladesh, em abril de 2013
Aniversário de um ano da tragédia: familiares das vítimas protestam e prestam homenagens
Desde que essa tragédia completou um ano, em 2014, o Fashion Revolution Day é celebrado no dia 24 de abril e reúne as forças de estilistas, ONGs, ativistas, artistas, operários, comerciantes da indústria de moda, designers e quem mais se interessar em apoiar a causa por meio de eventos, exposições, projetos, campanhas virtuais e outras iniciativas que visam à maior conscientização da população em relação àquilo que se veste.

No site do Fashion Revolution é possível ver quais as ações e eventos do projeto no seu país
Uma das campanhas online mais famosas do projeto é a #whomademyclothes (quem fez minhas roupas?), que tem como objetivo a transparência do meio fashion/têxtil. Os seguidores do FR podem fotografar, compartilhar e usar a tag para descobrir se aquela peça de roupa tem alguma mão escrava ou em condições desumanas de trabalho.
Algumas marcações da tag #whomadeyclothes: artistas, blogueiros e figuras do meio da moda se envolvem na campanha
Acompanhando a página deles no facebook (ou esse link aqui, em inglês) dá pra ficar sabendo mais sobre diversas marcas, novidades sustentáveis da moda, denúncias e outros projetos bem interessantes, como o Slavery Footprint, um jogo/teste que mostra a possível quantidade de trabalho escravo ligado à sua rotina com base em coisas (não só roupas) que você consome. Que tal testar?
Pra finalizar, deixo dois filmes bem interessantes sobre o tema:
The True Cost
Andrew Morgan, novembro/2015
O documentário conta com entrevistas de especialistas, consumidores e trabalhadores do mundo da moda e questiona a relação entre o preço das roupas no mercado e o real custo de fabricação delas, batendo sempre na tecla do trabalho escravo ou em condições precárias. Está disponsível no NetFlix, mas deixo o trailer aqui:
Sweatshop - Deadly Fashion
Joakim Kleven, março/2014
É um reality show, o que, pelo menos pra mim, o torna ainda mais interessante. Três jovens blogueiros noruegueses super ricos
O trailer:
Vou encerrando o tema por hoje, mas garanto que volto a tocar nesse assunto por aqui, até pra discutirmos a questão do trabalho escravo na moda também aqui no Brasil. Sugestões são muito bem-vindas! (By the way, obrigada pelo apoio nos comentários e aos que leram o último post!)
Beijo e até a próxima!
Fashion Revolution:
fashionrevolution.org




